CAPACITAÇÃO, TÉCNICAS FUNDAMENTAIS E ESTRATÉGIAS APLICADAS

Fábio QueirozEscrito por: Fábio Queiroz04/05/2026
CAPACITAÇÃO, TÉCNICAS FUNDAMENTAIS E ESTRATÉGIAS APLICADAS

Desafios e Fundamentos do Resgate de Fauna – Parte 2 de 3

No BS PREA trabalhamos para garantir que equipes de atendimento incorporem conhecimento técnico moderno, construam mentalidade preventiva e atuem dentro dos limites legais.

Estratégia Operacional – Os 4 As da Prevenção

A seguir estão os pilares operacionais que todo profissional deve dominar. Antes de qualquer técnica, é fundamental compreender por que um animal está ali. Raramente ele vai aparecer “por acaso”. Abaixo, alguns pontos para considerar:

• Alimento

• Abrigo

• Água

• Acesso (atalho)

Controlar esses fatores “4 A’s” pode reduzir drasticamente a reincidência:

Alimento: restos de refeitórios, lixo exposto, recipientes com ração e até frutas caídas criam condicionamento, e a dispersão de odores pode atrair fauna.

Abrigo: edificações ociosas, entulhos, frestas, materiais acumulados e desorganização permitem a fixação do animal.

Água: poças, vazamentos e recipientes descobertos favorecem a permanência e a reprodução.

Acesso: falta de cercas ou locais mal vedados, portas abertas, grades frouxas e estruturas rompidas ou com vãos podem facilitar a entrada.

Em algumas situações, para propriedades rurais, adiciona se o quinto A “Acasalamento”, pois períodos reprodutivos de criações domesticadas podem atrair animais selvagens ou asselvajados e, dependendo da espécie, podem gerar risco à população.

Esses conceitos, apesar de simples, moldam toda a leitura tática da ocorrência.

Técnicas Complementares – Ferramentas Práticas para Intervenção

Técnica de afugentamento

Usa barreiras, rotas guiadas, veículos, gestos amplos e estímulos visuais ou sonoros moderados para levar o animal de volta ao ambiente natural, respeitando seu ritmo. É ética e eficaz e deve ser priorizada sempre que possível.

Técnica de repulsão

Aplicação de odores, vibrações ou sons desagradáveis à espécie, sempre de forma temporária, evitando sofrimento. É valiosa em áreas residenciais, industriais e centros agrícolas.

Técnica de atração

Utiliza estímulos positivos, sons, odores, alimentos ou abrigo seguro para que o animal se desloque de forma voluntária para a área desejada. Quando bem aplicada, evita perseguição, estresse elevado, risco de ferimentos e outros.

Resgate e captura técnica

Envolve aproximação que requer EPIs, cordas, ferramentas (puçás, caixas, redes) e contenções adequadas. Indicados quando há risco à população ou ao próprio animal.

Sedação farmacológica

Apenas veterinários autorizados podem executar. Recurso extremo e legalmente regulamentado, geralmente aplicado a animais com potencial de ferir os envolvidos ou que estão em pontos críticos com risco real de fatalidade.

Eliminação

Raríssima. Utilizada somente em cenários excepcionais de risco grave à saúde pública, impactos agrícolas severos ou decisões judiciais específicas correlacionadas a algumas espécies invasoras.

Especialistas que devem ser acionados

O resgate técnico não é um ato individual. Profissionais essenciais incluem:

• apicultores para manejo de insetos sociais

• veterinários para avaliação clínica, anestesia e contenção química

• biólogos para identificação, comportamento e manejo específico

• herpetólogos para répteis, serpentes e animais de risco

• centros de triagem para destinação correta da fauna

Atualizar o plano de trabalho com fauna, destacando o acionamento de especialistas em alguns casos, é uma ótima prática, não uma fraqueza operacional, pois ao final pode ser a melhor decisão para todos.

Nivelamento de equipe – Treinamentos e Simulações e aprendizagem contínua

Equipes com resgatistas qualificados devem realizar simulados regulares. Geralmente, as equipes trabalham considerando massa entre 100 a 250 kg para resgate humano. Tratando se de resgate de fauna, a equipe pode decidir treinar mudando poucos pontos no exercício, como por exemplo aplicar técnicas simulando massa de 300 a 600 kg.

• içamento de 500 kg (define novos fatores de segurança)

• ancoragens múltiplas e redundâncias em sistemas

• distribuição de cargas na espécie (múltiplos pontos)

• controle emocional e comunicação clara sob pressão

• adaptação de técnicas de resgate humano para fauna

Esses exercícios, bem executados inicialmente, podem virar protocolos internos, nivelam o conhecimento e aumentam a segurança de todos.

Gostou do assunto?

O Post 3 abordará prevenção, ambientes seguros e como o BS PREA apoia equipes que desejam evoluir.

Fábio Queiroz

Fábio Queiroz

É Tecnólogo em segurança, Pós graduado em Engenharia de Prevenção e Combate ao Incêndio e Higiene Ocupacional, produz conteúdos atualizados para parceiros, fornece mentoria para Bombeiros de todo o Brasil de forma remota.

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