Em situações envolvendo animais dentro de áreas privadas, não é incomum que o observador lembre de chamar o Técnico em Meio Ambiente ou o Corpo de Bombeiros, principalmente em ocorrências inusitadas com animais.
Quando pensamos em ocorrências com animais em áreas públicas, muitos imaginam equipes especializadas de resgate, biólogos, veterinários ou órgãos ambientais. Porém, na prática, independentemente de ocorrer em áreas públicas ou privadas, os representantes legais e órgãos governamentais muitas vezes possuem inúmeras demandas e podem não conseguir atender de forma imediata. Em alguns casos, o profissional Técnico em Meio Ambiente pode ter anuência formal para tratar e apoiar em ocorrências assim, porém, no início da vida profissional, pode não possuir experiência prática em resgates ou manejo de fauna, mas, como um apaixonado pela profissão, vai querer resolver esse dilema. A seguir, algumas dicas que a maioria dos profissionais recém-formados precisa aprender:
“Ninguém faz nada sozinho.”
“O básico bem-feito funciona.”
“Ninguém precisa inventar a roda.”
“Se está escrito em um documento oficial, é para seguir.”
Contexto Operacional
Em obras, usinas, rodovias, reflorestamentos, indústrias, fazendas e áreas de preservação, a presença da fauna faz parte da rotina operacional. É justamente nesses cenários que surgem situações como: animais feridos (naturalmente ou não), atropelamentos, invasões de áreas com riscos adicionais como em indústrias, acidentes com animais peçonhentos e impactos ambientais como queimadas, que exigem resposta rápida.
Nesse momento, o técnico pode se tornar uma peça fundamental. Isso não significa que ele seja responsável por solucionar tudo sozinho, nem que deva realizar o manejo direto ou o resgate do animal. Esse é um ponto extremamente importante.
Muitos profissionais recém-formados podem não receber muito apoio da gestão e, às vezes, são os primeiros profissionais dessa área a chegar. Ou seja, ele irá ajudar a desenvolver a cultura ambiental e demais políticas da empresa, e sozinho pode acreditar que precisa resolver toda a ocorrência sem auxílio. Porém, em emergências envolvendo fauna, agir por emoção e sem capacitação adequada pode colocar em risco tanto a vida humana quanto a do próprio animal. Boa intenção não substitui capacitação.
O Papel do Técnico em Meio Ambiente
O verdadeiro papel do Técnico em Meio Ambiente em situações assim está em atuar com percepção, controle e segurança. Entre suas principais funções em ocorrências desse tipo estão:
● Identificar o risco
● Isolar a área
● Evitar aproximações indevidas
● Orientar trabalhadores
● Registrar a situação
● Acionar equipes competentes
● Fornecer conforto ao animal quando possível
● Apoiar profissionais qualificados e habilitados
Essas ações, muitas vezes simples, fazem enorme diferença no resultado da ocorrência. Em diversas empresas, o setor ambiental é um dos primeiros a ser comunicado quando há presença de fauna em áreas operacionais. Isso acontece porque o técnico ambiental possui conhecimento sobre riscos ambientais, legislação, impactos ecológicos e procedimentos internos.
Mas existe uma diferença importante entre apoiar uma ocorrência e executar manejo especializado. Capturar ou resgatar animais sem treinamento, improvisar contenções ou agir por impulso pode transformar uma ocorrência controlada em um acidente grave. Em muitos casos, os envolvidos também podem responder legalmente por não agir corretamente.
A cultura de segurança também precisa estar presente nas ocorrências ambientais. Assim como bombeiros seguem protocolos para proteger suas equipes, profissionais ambientais devem compreender que preservar vidas também inclui proteger a si mesmos durante qualquer atendimento.
No fim das contas, o Técnico em Meio Ambiente talvez não seja o responsável pelo resgate direto. Mas poderá ser o primeiro elo da corrente entre o problema e a solução, e isso é tão importante quanto o último. Profissionais preparados para identificar riscos, agir com responsabilidade e tomar decisões seguras fazem toda diferença na proteção das pessoas, da fauna e do meio ambiente.
Boas práticas para o recém-formado
Antes da ocorrência
● Conheça o PTF da sua empresa e os profissionais autorizados para manejo
● Tenha contatos de emergência sempre salvos: CETAS, bombeiros, biólogos e veterinários da região
● Pergunte sobre as ocorrências com fauna que já aconteceram na empresa e como foram conduzidas, pois cada lugar tem suas particularidades e uma variedade de espécies
● Aprender com as decisões anteriores evita repetir erros passados. Solicite recursos quando necessário
● Consulte o fluxo de tomadas de decisões internas e considere os limites das suas responsabilidades, pois às vezes existem outros profissionais que devem tomar a decisão
● Nem tudo é uma ocorrência e nem sempre a intervenção humana é necessária
Durante a ocorrência
● Avalie o risco antes de se aproximar
● Isole o local e mantenha curiosos a uma distância segura
● Oriente os trabalhadores com clareza, sem alarmismo
● Registre tudo: data, local, espécie observada, ações tomadas e pessoas envolvidas. Tire fotos com o celular da empresa
● Acione os profissionais habilitados e aguarde orientação
● Atenção à comunicação, principalmente se for por rádio, para evitar o ruído
Depois da ocorrência
● Formalize o registro em relatório com fotos e informações completas
● Se couber, proponha medidas preventivas para evitar recorrências
● Apoie na aquisição ou reposição de materiais e outros itens necessários
O que nunca fazer
● Não capture ou resgate animais sem capacitação específica
● Não improvise contenções ou equipamentos
● Não minimize a situação por pressa ou pressão da gestão
● Não use aparelhos pessoais para registrar situações sensíveis do trabalho. Evite expor conteúdos de situações sensíveis em mídias sociais
● Não ultrapasse o limite de suas atribuições
Documentação e Procedimentos
Para ajudar a organizar tomadas de decisões na empresa, pode existir um documento que geralmente é chamado de PTF (Plano de Trabalho com Fauna). Esse documento define os procedimentos para situações envolvendo animais: quem está autorizado a capturar, resgatar ou manejar, quais os treinamentos exigidos e com que frequência devem ser renovados.
Conhecer os acervos da empresa como o PAE (Plano de Atendimento de Emergência), bem como o PTF da sua empresa, é o primeiro passo para atuar com segurança plena em situações que requerem intervenção com a fauna.
Todo acervo técnico da empresa requer atualização. Se você, como técnico, pode ajudar a melhorar, não achou algo coerente e gostaria de mudar algo, converse com seus superiores, pares e pessoas envolvidas antes. Mudanças são bem-vindas, mas, principalmente no início da vida profissional, você deve entender que, se foi escrito daquela forma, naquela sequência ou ordem, é porque foi a forma mais segura avaliada anteriormente.
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